Mercado das canetas emagrecedoras cresce e movimenta R$ 10 bilhões em quatro anos
O mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas para emagrecimento, registrou um crescimento expressivo nos últimos quatro anos. Entre 2021 e 2025, o setor passou de R$ 1,8 bilhão para cerca de R$ 10 bilhões em faturamento, consolidando esses medicamentos entre os mais vendidos do país.
O avanço também influenciou o perfil das importações farmacêuticas brasileiras, com aumento da demanda por medicamentos de alta complexidade e maior valor agregado.
Entre os produtos que lideraram o mercado no período está o Ozempic, responsável por cerca de R$ 11,3 bilhões em faturamento. Na sequência aparecem Forxiga (R$ 4,6 bilhões), Wegovy (R$ 4,3 bilhões), Mounjaro (R$ 3,8 bilhões), além de Jardiance, Saxenda e Rybelsus, todos utilizados no tratamento de doenças como diabetes e obesidade.
Segundo o presidente-executivo da Farma Brasil, Reginaldo Arcuri, o crescimento das canetas emagrecedoras faz parte de uma transformação mais ampla do setor farmacêutico. Ele explica que o aumento das importações está ligado ao envelhecimento da população, à maior incidência de doenças crônicas e à adoção de terapias cada vez mais sofisticadas.
Dados do setor apontam que as importações brasileiras de medicamentos passaram de US$ 1,3 bilhão em 2000 para US$ 14,2 bilhões em 2025, representando um crescimento superior a 950%. Atualmente, os produtos mais importados são imunológicos, vacinas, medicamentos biológicos e outras terapias de alta tecnologia, com os imunológicos respondendo por aproximadamente 25% das importações neste ano.
Crescimento nas vendas
Além da expansão financeira, o volume de vendas também apresentou alta significativa. As comercializações passaram de 3,3 milhões de unidades em 2021 para 8,9 milhões em 2025.
Hoje, mais de 70% do faturamento desse segmento está concentrado em dois medicamentos: Mounjaro e Wegovy.
Somente entre janeiro e maio deste ano, a semaglutida movimentou R$ 2 bilhões no varejo brasileiro, com mais de 2 milhões de unidades vendidas. Em maio, o faturamento mensal atingiu R$ 449 milhões, o maior registrado em 2026.
A semaglutida é um princípio ativo que imita o hormônio GLP-1, responsável por promover a sensação de saciedade, reduzir o apetite e retardar o esvaziamento do estômago. Inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2, a substância ganhou destaque também no combate à obesidade.
Entrada de versões nacionais reduz preços
Apesar da forte demanda, a chegada de versões nacionais da semaglutida começou a impactar os preços no mercado brasileiro. Com o lançamento do medicamento pela EMS, o valor médio dos produtos à base desse princípio ativo apresentou queda de cerca de 8% nos cinco primeiros meses de 2026.
Mesmo produzindo aproximadamente 70% dos medicamentos consumidos no país, o Brasil ainda depende da importação de produtos biotecnológicos, especialmente aqueles de maior complexidade.
Para especialistas do setor, ampliar a produção nacional por meio de políticas industriais, incentivos e parcerias será essencial para reduzir essa dependência e fortalecer o desenvolvimento de medicamentos inovadores.
Canetas emagrecedoras chegam ao SUS
O uso desses medicamentos também começou a ser avaliado na rede pública de saúde.
No fim de junho, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto em Porto Alegre para oferecer semaglutida a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta primeira etapa, cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a doenças cardiovasculares serão acompanhadas durante dois anos.
O objetivo é analisar a eficácia do tratamento, os impactos na qualidade de vida dos pacientes e os custos para o sistema público, considerados atualmente um dos principais desafios para ampliar o acesso a esse tipo de terapia.




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