Pesquisa aponta que restrição ao celular nas escolas diminuiu a ansiedade entre estudantes

A restrição ao uso de celulares nas escolas tem apresentado resultados positivos no ambiente escolar. Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que 86% dos gestores de instituições públicas e privadas perceberam redução da ansiedade entre os estudantes após a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025.

A pesquisa avaliou o primeiro ano de implementação da norma, que limita o uso de aparelhos celulares nas escolas, analisando os impactos da medida na rotina das instituições, os desafios enfrentados e as estratégias adotadas para garantir o cumprimento da legislação.

Além da redução da ansiedade, 88% dos gestores afirmaram que a restrição contribuiu para diminuir conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying. Outros 55% relataram queda nas ocorrências de conflitos e agressões físicas dentro das unidades de ensino.

Durante a apresentação dos resultados, a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, destacou que a convivência entre os estudantes é parte fundamental do processo de aprendizagem e que o excesso de tempo diante das telas pode comprometer esse desenvolvimento.

Para Beatriz Alquéres, gerente-executiva de Políticas Públicas do Instituto Ayrton Senna, os dados reforçam que limitar o uso dos celulares vai além da organização escolar. Segundo ela, a medida também favorece o bem-estar emocional dos estudantes, fortalece os vínculos entre os alunos e cria melhores condições para a aprendizagem.

Maioria das escolas já adotou a medida

O levantamento mostra que 92% das escolas já implementaram as regras previstas na legislação.

Entre as principais ações adotadas pelas instituições estão a definição de sanções para quem descumpre as normas (66%), o diálogo com as famílias (63%), a atualização dos regimentos internos (62%), a escuta dos estudantes (61%), a capacitação dos profissionais da educação (60%) e o incentivo a atividades de convivência e brincadeiras coletivas (59%).

Apesar dos resultados positivos, os gestores apontaram desafios para a aplicação da medida. Cerca de 39% citaram a resistência dos estudantes às novas regras e a falta de estrutura para armazenar os aparelhos. Outros 31% relataram dificuldades para fiscalizar o cumprimento da norma durante as aulas e os intervalos.

Como os celulares são armazenados

A pesquisa também identificou as principais formas utilizadas pelas escolas para guardar os celulares durante o período letivo.

Na maioria das instituições (62%), os aparelhos permanecem nas mochilas dos estudantes. Em 33% das escolas, os celulares são recolhidos na secretaria ou na recepção. Já 21% informaram que os aparelhos continuam em posse dos alunos, mesmo com restrições de uso.

Outras estratégias incluem o uso de caixas ou armários coletivos dentro das salas de aula (15%), armários individuais (10%) e caixas ou armários instalados em corredores e pátios (8%).

O levantamento foi realizado com base em questionários enviados a 8.189 escolas públicas e privadas selecionadas por amostragem. Ao todo, o Inep recebeu 2.469 respostas consideradas válidas para a análise dos resultados.

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