{"id":1180,"date":"2025-03-21T15:30:00","date_gmt":"2025-03-21T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacolivresergipe.com.br\/?p=1180"},"modified":"2025-03-21T15:30:08","modified_gmt":"2025-03-21T18:30:08","slug":"duplicacao-da-br-101-em-sergipe-por-que-essa-obra-nunca-termina-e-quais-as-possiveis-solucoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacolivresergipe.com.br\/index.php\/2025\/03\/21\/duplicacao-da-br-101-em-sergipe-por-que-essa-obra-nunca-termina-e-quais-as-possiveis-solucoes\/","title":{"rendered":"Duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 em Sergipe: Por que essa obra nunca termina e quais as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Ademario Alves*<\/p>\n\n\n\n<p>A duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 em Sergipe (com extens\u00e3o de 206 km) se arrasta h\u00e1 d\u00e9cadas. A obra federal, teve in\u00edcio em meados dos anos noventa, ainda na presid\u00eancia de Fernando Henrique Cardoso, passando desde ent\u00e3o por governos mais \u00e0 esquerda ou mais \u00e0 direita.<\/p>\n\n\n\n<p>O que deveria ser um vetor de desenvolvimento para o estado e para o Nordeste, por ser uma das principais rodovias do pa\u00eds, tornou-se um s\u00edmbolo do descaso e da inefici\u00eancia da gest\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que a duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 n\u00e3o avan\u00e7a? A resposta passa por inefici\u00eancias da gest\u00e3o p\u00fablica, falta de recursos or\u00e7ament\u00e1rios da Uni\u00e3o, baixa capacidade de investimento do Brasil em infraestrutura e principalmente pela escolha (em minha opini\u00e3o equivocada) em manter a obra 100% p\u00fablica, ap\u00f3s todos esses anos de sucessivos atrasos e demonstra\u00e7\u00f5es de incapacidade de execu\u00e7\u00e3o por parte do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Baixo Investimento P\u00fablico e Seus Reflexos<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil investe pouco em infraestrutura em rela\u00e7\u00e3o ao seu Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto pa\u00edses emergentes como China e \u00cdndia destinam entre 4% e 7% do PIB para esse setor, o Brasil mal alcan\u00e7a 2% (entre investimento p\u00fablico e privado).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da BR-101, a obra de duplica\u00e7\u00e3o sofre com cortes or\u00e7ament\u00e1rios e libera\u00e7\u00f5es de verbas insuficientes. A Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA) frequentemente destina valores aqu\u00e9m do necess\u00e1rio, o que n\u00e3o permite a obra avan\u00e7ar. Isso gera um ciclo vicioso de atrasos, aumentos de custo e deteriora\u00e7\u00e3o das partes j\u00e1 constru\u00eddas antes mesmo da conclus\u00e3o da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Instabilidade pol\u00edtica e as dificuldades na negocia\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento dificultam a aloca\u00e7\u00e3o eficiente dos recursos, vide as pol\u00eamicas emendas parlamentares, que nem sempre s\u00e3o destinadas para projetos realmente \u00fateis ao pa\u00eds. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os Impactos do Atraso da Obra<\/p>\n\n\n\n<p>O atraso na duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 em Sergipe n\u00e3o \u00e9 apenas um problema de infraestrutura, mas um entrave ao desenvolvimento regional. A rodovia \u00e9 crucial para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e industrial do estado, al\u00e9m de ser um eixo fundamental para o turismo no Nordeste. Da maneira atual, os congestionamentos e os acidentes s\u00e3o comuns, resultando em preju\u00edzos econ\u00f4micos e, pior, em perdas humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas que dependem do transporte rodovi\u00e1rio enfrentam aumento nos custos log\u00edsticos, o que impacta diretamente a competitividade dos produtos sergipanos. Al\u00e9m disso, a falta de infraestrutura moderna afasta investidores e reduz o potencial de crescimento do estado. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhos Para Superar o Problema<\/p>\n\n\n\n<p>Para destravar a duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 e outras obras estrat\u00e9gicas, solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis incluem:<\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; Parcerias P\u00fablico-Privadas (PPPs) e Concess\u00f5es: Concess\u00f5es bem estruturadas, com regras claras e fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa, podem garantir investimentos, vide a bem sucedida concess\u00e3o dos servi\u00e7os de \u00e1gua e esgoto conduzida pela Desenvolve Sergipe.Peguemos ainda o exemplo do Estado de S\u00e3o Paulo, que utilizando-se desse tipo de mecanismo possui a melhor infraestrutura do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; Amplia\u00e7\u00e3o do Investimento P\u00fablico: O governo federal precisa reavaliar suas prioridades or\u00e7ament\u00e1rias e fazer reformas que induzam crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, o que abre espa\u00e7o para ampliar o or\u00e7amento de investimento. A amplia\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico incentiva o investimento privado, no processo conhecido como \u201ccrowding in\u201d, criando um ciclo virtuoso de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; Planejamento de Longo Prazo: O Brasil precisa de uma pol\u00edtica nacional de infraestrutura que n\u00e3o seja ref\u00e9m de ciclos eleitorais. Modelos bem-sucedidos, como os adotados em pa\u00edses asi\u00e1ticos, mostram que um planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo \u00e9 essencial para garantir obras cont\u00ednuas e sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; Fomento a Fontes Alternativas de Financiamento: Fundos internacionais, bancos de desenvolvimento e o pr\u00f3prio setor produtivo podem contribuir para viabilizar grandes obras. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio um ambiente regulat\u00f3rio est\u00e1vel e atrativo para investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>A duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 \u00e9 uma necessidade urgente para Sergipe e para o Nordeste. Da mesma maneira, outros projetos estrat\u00e9gicos para o nosso desenvolvimento, como a duplica\u00e7\u00e3o da BR 235 e projetos de irriga\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a h\u00eddrica, a exemplo do Canal de Xing\u00f3. No entanto, nos modelos atuais dificilmente sair\u00e3o do papel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de romper essa l\u00f3gica e atrair capital e expertise privados, fugindo da inefici\u00eancia estatal. Lembremos que o trecho que interliga a cidade de Est\u00e2ncia ao Estado da Bahia, sequer foi iniciado.Est\u00e1 claro que precisamos de Parcerias P\u00fablico Privadas \u2013 PPPs ou Concess\u00f5es para o setor privado de modo a concluir essa obra!! Os sergipanos n\u00e3o aguentam esperar mais 30 anos!<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de continuar esse di\u00e1logo e ouvir cr\u00edticas e sugest\u00f5es sobre a maneira como podemos atuar para o desenvolvimento do Estado de Sergipe e implementar novas ideias. Fique \u00e0 vontade para me contatar pelas redes sociais: @ademarioalvesse (Instagram), @AdemarioAlves (Facebook) ou por e-mail: ademariobnb2@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p>*Ademario Alves \u00e9 economista, mestre em Gest\u00e3o Empresarial, funcion\u00e1rio do BNB, ex-secret\u00e1rio da Fazenda de Sergipe e ex-diretor do Banese. Atualmente, \u00e9 Diretor de Atra\u00e7\u00e3o de Investimentos e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Desenvolve-SE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ademario Alves* A duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 em Sergipe (com extens\u00e3o de 206 km) se arrasta h\u00e1 d\u00e9cadas. A obra federal, teve in\u00edcio em meados dos anos noventa, ainda na presid\u00eancia de Fernando Henrique Cardoso, passando desde ent\u00e3o por governos mais \u00e0 esquerda ou mais \u00e0 direita. 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