{"id":4552,"date":"2025-04-19T09:29:04","date_gmt":"2025-04-19T12:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacolivresergipe.com.br\/?p=4552"},"modified":"2025-04-19T09:29:05","modified_gmt":"2025-04-19T12:29:05","slug":"governo-de-sergipe-atua-pela-preservacao-da-cultura-dos-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacolivresergipe.com.br\/index.php\/2025\/04\/19\/governo-de-sergipe-atua-pela-preservacao-da-cultura-dos-povos-indigenas\/","title":{"rendered":"Governo de Sergipe atua pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura dos povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste s\u00e1bado, 19 de abril, \u00e9 comemorado o Dia dos Povos Ind\u00edgenas. No munic\u00edpio de Porto da Folha, no Alto Sert\u00e3o sergipano, o povo Xok\u00f3 preserva com orgulho sua hist\u00f3ria, identidade e tradi\u00e7\u00f5es ancestrais transmitidas entre gera\u00e7\u00f5es. O Governo de Sergipe, por meio da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura e Arte Aperip\u00ea (Funcap), tem mantido di\u00e1logo com as lideran\u00e7as da comunidade com o objetivo de garantir que suas express\u00f5es culturais sejam contempladas pelas a\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 cultura e nos editais p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2024, a Funcap tem intensificado a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da ancestralidade, ao fortalecimento das pr\u00e1ticas tradicionais e \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o da cultura. As visitas a territ\u00f3rios, como o do povo Xok\u00f3, e os espa\u00e7os de escuta e di\u00e1logo, por meio dos agentes territoriais, fazem parte de uma agenda cont\u00ednua para garantir que as pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura sejam constru\u00eddas de forma inclusiva e contemplem a diversidade \u00e9tnica e cultural de Sergipe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Funcap vem desenvolvendo uma agenda estrat\u00e9gica que visa acelerar a valoriza\u00e7\u00e3o da ancestralidade, promover o fortalecimento das pr\u00e1ticas tradicionais e impulsionar a interioriza\u00e7\u00e3o da cultura de forma mais incisiva. O compromisso institucional n\u00e3o se restringe \u00e0 teoria: as a\u00e7\u00f5es englobam desde visitas t\u00e9cnicas e operacionais a territ\u00f3rios representativos\u2014como o do povo Xok\u00f3\u2014 assim como a garantia de percentuais em cotas dos editais promovidos pela Funcap. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para assegurar que as pol\u00edticas p\u00fablicas culturais sejam formuladas de maneira mais inclusiva, refletindo a rica diversidade \u00e9tnica e cultural de Sergipe\u201d, destaca o presidente da Funcap, Gustavo Paix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc (PNAB), os editais lan\u00e7ados em todo o territ\u00f3rio nacional contam com reserva de vagas espec\u00edficas para pessoas ind\u00edgenas, como forma de assegurar o acesso desses grupos \u00e0s a\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 cultura e contribuir com a repara\u00e7\u00e3o de desigualdades hist\u00f3ricas. \u201cDentro do escopo da PNAB, os editais lan\u00e7ados em \u00e2mbito nacional passaram a incluir, de forma obrigat\u00f3ria, uma reserva de 10 % das vagas para pessoas ind\u00edgenas. Essa medida t\u00e1tica visa n\u00e3o s\u00f3 ampliar o acesso a programas de fomento cultural, mas tamb\u00e9m corrigir distor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que marginalizaram esses grupos. Ao incorporar esse percentual fixo em seus crit\u00e9rios, a PNAB estabelece uma clara diretriz de inclus\u00e3o, funcionando como um catalisador para que iniciativas culturais ganhem robustez e legitimidade. Essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de alinhamento estrat\u00e9gico que assegura a participa\u00e7\u00e3o ativa dos povos origin\u00e1rios\u201d, detalha o superintendente de Pol\u00edticas Culturais da Funcap, Alisson Couto.<\/p>\n\n\n\n<p>O cacique B\u00e1 Xok\u00f3 conta que o apoio da Funcap \u00e9 importante para a continuidade das tradi\u00e7\u00f5es e transmiss\u00e3o desses conhecimentos em todo o estado. \u201cPrecisamos dessa ajuda, e que os gestores compreendam que n\u00e3o podemos andar sozinhos. \u00c9 esse apoio que nos ajuda a manter viva a cultura que carregamos no cora\u00e7\u00e3o. Com a for\u00e7a do nosso povo e o apoio do poder p\u00fablico, nossa cultura continuar\u00e1 de p\u00e9\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o ex-cacique Heleno Bezerra destaca a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u201cAcredito que, no momento, \u00e9 importante que exista essa cota por conta da desigualdade social, como uma forma de repara\u00e7\u00e3o. O branco n\u00e3o \u00e9 mais competente que o ind\u00edgena, apenas tem mais oportunidades\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Xok\u00f3s<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma hist\u00f3ria marcada pela luta e pela reconquista de suas terras, os Xok\u00f3 vivem, atualmente, nas aldeias Ilha de S\u00e3o Pedro e Cai\u00e7ara. A presen\u00e7a ind\u00edgena no local remonta ao s\u00e9culo XVIII, quando foi erguida a Capela de S\u00e3o Pedro pelos mission\u00e1rios capuchinhos. A posse das terras s\u00f3 foi reconhecida, mesmo, ap\u00f3s um longo processo que se estendeu at\u00e9 1979, ano em que a comunidade retomou a Ilha de S\u00e3o Pedro e estabeleceu ali sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos um povo forte, valente e resistente. Eles conseguiram levar muita coisa da gente, mas, o principal, n\u00e3o conseguiram: a nossa hist\u00f3ria. A gente sabe que s\u00f3 nasce uma vez, mas nascer na Ilha de S\u00e3o Pedro j\u00e1 \u00e9 um presente da natureza. A nossa defesa \u00e9 a cultura. Sem ela, ficamos como um peixe fora d\u2019\u00e1gua. Nosso povo \u00e9 reconhecido de Norte a Sul, e isso, para mim, \u00e9 motivo de grande gratid\u00e3o\u201d, conta o ex-cacique Heleno Bezerra, hoje uma das principais lideran\u00e7as dos Xok\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora reconhe\u00e7a que a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena deve acontecer todos os dias, o ex-cacique enfatiza a import\u00e2ncia de uma data espec\u00edfica para refor\u00e7ar a presen\u00e7a dos povos origin\u00e1rios no imagin\u00e1rio social. \u201cAssim como existe o Dia do Trabalhador, do professor, do estudante, \u00e9 importante, tamb\u00e9m, que exista o Dia dos Povos Ind\u00edgenas. Ficamos felizes porque \u00e9 uma forma de manter viva a nossa hist\u00f3ria, de ver as escolas comemorando, as crian\u00e7as aprendendo. Isso nos d\u00e1 alegria e esperan\u00e7a de que a nossa cultura nunca vai morrer\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00e1ticas culturais preservadas<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os Xok\u00f3s, a preserva\u00e7\u00e3o cultural se reflete no cotidiano, especialmente no cuidado com as novas gera\u00e7\u00f5es. As pr\u00e1ticas s\u00e3o transmitidas de forma coletiva, envolvendo crian\u00e7as, jovens e adultos. Durante o recreio escolar, por exemplo, \u00e9 comum que as crian\u00e7as pratiquem o tor\u00e9, dan\u00e7a tradicional ind\u00edgena. Nos rituais, h\u00e1 espa\u00e7os espec\u00edficos para cada faixa et\u00e1ria e, \u00e0 noite, todos se re\u00fanem ao redor da fogueira para compartilhar hist\u00f3rias, mem\u00f3rias e ensinamentos. \u201cL\u00e1 \u00e9 passado tudo o que vivemos, o que sofremos, para que nossas crian\u00e7as e adolescentes cres\u00e7am informados. Dizemos a eles que podem estudar, buscar forma\u00e7\u00e3o. Temos, hoje, Xok\u00f3s formados em Medicina, Engenharia, Direito, Assist\u00eancia Social, mas que nunca esque\u00e7am que tudo o que conquistaram veio da nossa hist\u00f3ria. Muitos, mesmo com diploma na m\u00e3o, continuam dan\u00e7ando tor\u00e9 com a gente\u201d, afirma o ex-cacique Heleno Bezerra<\/p>\n\n\n\n<p>A modernidade trouxe diferentes desafios no cotidiano da comunidade, mas, para o cacique B\u00e1 XoK\u00f3, isso n\u00e3o \u00e9 impeditivo para que a nova gera\u00e7\u00e3o se fortale\u00e7a imersa na cultura do seu povo. \u201cHoje, o mundo est\u00e1 dentro das nossas casas. Os jovens t\u00eam outros comportamentos, outros envolvimentos. Se a gente n\u00e3o tiver o compromisso de levar essa juventude para perto da nossa cultura, vamos perder algo que nos custou muito. \u00c9 preciso que eles sintam na pele o que a gente viveu. A cultura n\u00e3o pode ser passada s\u00f3 de boca. \u00c9 preciso viv\u00eancia, presen\u00e7a, sentimento. E, agora, precisamos educar as crian\u00e7as, a juventude, para que eles n\u00e3o deixem morrer essa cultura t\u00e3o forte do povo Xok\u00f3\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o paj\u00e9 Jai, quanto mais o jovem participa, mais ele aprende e adquire experi\u00eancia. &#8220;Quando o \u00edndio se distancia de sua cultura, ele come\u00e7a a perder sua ess\u00eancia. O ritual, o momento sagrado, est\u00e1 no sangue, no esp\u00edrito. Ningu\u00e9m tira isso. A cada dia, as crian\u00e7as acompanham, os jovens acompanham, e isso \u00e9 o que garante que a miss\u00e3o continue. Um povo sem seu ritual, sem sua cultura, n\u00e3o resiste. O mais bonito de um povo \u00e9 manter sua cultura, resistir e continuar sempre como um povo ind\u00edgena\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Marco Ferro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, 19 de abril, \u00e9 comemorado o Dia dos Povos Ind\u00edgenas. 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